
Sentada no banco de um parque na cidade de Debrecen, no leste da Hungria, Barbara Elek fica nervosa ao verificar seus e-mails.
Ela e seu marido, Levi, aguardam para saber se ela está grávida, após a terceira rodada de fertilização in vitro, 10 dias antes.
"Se não tivermos sucesso, é claro que ficarei devastada e só o que poderemos fazer será tentar garantir que, pelo menos financeiramente, não iremos perder tudo", declarou ela à BBC.
Barbara tem 33 anos e é assistente social. Levi, de 34, é chef de cozinha.
Como muitos outros jovens casais húngaros, eles ganharam o direito a empréstimos e subsídios no valor de dezenas de milhares de dólares, livres de juros, ao prometerem ter dois filhos.
Mas eles tiveram dificuldade para conceber naturalmente e, se não puderem provar que têm um filho a caminho até o dia 1° de novembro, é possível que eles precisem devolver os empréstimos com juros de penalização.
O casal contratou um empréstimo de 10 milhões de florins húngaros (cerca de US$ 33,4 mil, ou R$ 170 mil), mediante a promessa de terem dois filhos.
As regras criadas pelo governo anterior do país determinam que eles podem precisar pagar juros punitivos de 1,5 a 3,5 milhões de florins (cerca de R$ 25,5 mil a R$ 59,5 mil).
Eles afirmam não ter esse dinheiro. E o casal também recebeu um subsídio habitacional, sob condições similares.
Em 2010, o então primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, criou algumas das políticas mais ambiciosas do mundo para promover o aumento da natalidade. O governo passou a oferecer pagamento às pessoas que tiverem ou prometerem ter filhos.
A fertilidade do país está muito abaixo do nível de reposição de 2,1 bebês por mulher, necessário para manter a população estável. O número leva em consideração as crianças que não sobrevivem até a idade adulta.
E, para agravar a situação, o país enfrenta altos níveis de emigração e baixos índices de chegada de imigrantes.