
Ronaldo Caiado (GO) — O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou nesta sexta-feira (5) que enviará uma proposta ao Congresso Nacional visando equiparar facções criminosas brasileiras a organizações terroristas, caso seja eleito presidente da República. Esta declaração aconteceu durante a 11ª edição do Encontro Brasileiro de Autos Antigos, realizado na Praça Adhemar de Barros, em Águas de Lindóia (SP), um evento que atrai entusiastas do automobilismo e carros clássicos.
Durante sua fala, Caiado destacou a gravidade da presença das facções no Brasil, afirmando que elas alcançaram um poder que ameaça a liberdade de mais de 50 milhões de pessoas. “Nós sabemos muito bem que essa decisão será tomada por mim também, chegando o dia 5 de janeiro. Eu, como presidente da República, encaminharei ao Congresso Nacional a denominação de terroristas ao Comando Vermelho e também ao PCC”, declarou Caiado, referindo-se às facções que, a partir desta sexta, foram oficialmente identificadas como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.
O ex-governador criticou a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por não ter tomado essa medida antes que os Estados Unidos. “O que nós temos hoje é que ficou uma imagem muito ruim para o Brasil. Ficou uma imagem muito ruim porque o governo não teve a iniciativa de declarar os terroristas e aí, deixando com que os americanos fizessem em primeiro lugar”, disse Caiado. Essa afirmação ressalta uma percepção de desamparo no enfrentamento ao crime organizado pelo governo federal.
Caiado, que já foi um político influente em Goiás e possui forte aceitação entre a população do estado, busca agora desenvolver uma agenda mais ampla e de combate ao crime. De acordo com dados de pesquisas de intenção de voto, Caiado tem se posicionado como uma candidatura ascendente e pretende explorar essa temática em sua campanha. Sua postura rigorosa quanto ao enfrentamento do crime pode repercutir positivamente entre eleitores que veem a segurança pública como uma prioridade.
A proposta de equiparação das facções a organizações terroristas não é nova na pauta do Congresso, que já rejeitou, em fevereiro deste ano, a inclusão dessa proposta no âmbito do Projeto de Lei (PL) Antifacção. A discussão foi acalorada e provocou divisões entre os deputados, mas a inclusão de tal dispositivo foi removida devido a receios sobre a soberania nacional e interpretações jurídicas sobre as implicações dessa classificação.
No início do debate sobre a equiparação das facções criminosas, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator do projeto, havia incluído essa proposta nas primeiras versões do texto. A intenção era modificar a Lei Antiterrorismo para incluir facções criminosas com penas severas, que poderiam alcançar até 40 anos de reclusão. No entanto, as críticas, principalmente de especialistas em direito, levaram ao seu recuo no projeto.
Derrite retirou posteriormente a proposta de equiparação a organizações terroristas após a pressão sobre os potenciais riscos jurídicos que isso poderia gerar, o que prejudicou sua discussão durante a votação final, onde o projeto passou sem a controvertida inclusão. A articulação feita pelo então presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também impediu tentativas de emendar o projeto ativamente, destacando a resistência em torno do tema.
A classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pela Casa Branca também traz repercussões internacionais, podendo influenciar a relação entre o Brasil e outros países, especialmente na luta contra o tráfico de drogas. Essa nova medida pode colocar pressão sobre o governo do Brasil para que desenvolva ações mais rigorosas de combate ao crime organizado que transpassa fronteiras.
Além disso, a visita de Caiado a Águas de Lindóia não foi apenas para comunicar sua proposta, mas também para interagir com empresários e potenciais apoiadores locais na construção de sua pré-candidatura. Ele mencionou que a definição de seu vice na chapa deve ocorrer até a primeira quinzena de julho, enquanto planeja ampliar a presença de sua campanha em diversas regiões do Brasil, incluindo o Nordeste e o Centro-Oeste.
O ex-governador já tem uma agenda estruturada com visitas a várias regiões brasileiras, focando principalmente em estados onde há uma forte presença de seus apoiadores, como o Goiás e São Paulo. Sua estratégia inclui reuniões com lideranças e apresentações de propostas que podem consolidar sua posição como uma alternativa forte para o eleitorado insatisfeito com a atual administração.
Caiado também se distingue por seu histórico de atuação política e combate pela segurança pública no estado de Goiás, onde a questão da violência e do tráfico de drogas se tornou uma das pautas principais de sua gestão. A presença de facções como o CV e o PCC na vida cotidiana da população é uma preocupação que ele pretende transformar em um carro-chefe de sua campanha presidencial.
O evento em Águas de Lindóia marcou a celebração dos 50 anos do Automóvel Concorde, uma das principais atrações, e demonstra a capacidade do ex-governador em atrair multidões e diferentes setores da sociedade para seu discurso. Esse tipo de mobilização é crucial para fortalecer sua imagem e consolidar seu nome diante do eleitorado nacional.
Com os desafios políticos e sociais que ainda se apresentam para a segurança pública no Brasil, as propostas de Caiado podem não apenas moldar sua campanha, mas também influenciar o debate público sobre como o Brasil lida com a criminalidade organizada. A próxima etapa da pré-campanha dele se desenhará uma vez que ele finalize sua estratégia de alianças e inicie conversas mais intensas com potenciais aliados no Congresso.
Fonte : Diário do Estado